Arrastei a cadeira alguns centímetros.
Não foi por necessidade, apenas por conforto.
O barulho foi curto, seco.
Sentei novamente e testei a posição.
Ficou melhor assim.
A mesa continuou a mesma, o ambiente também.
Às vezes, um ajuste simples resolve o resto do dia.
Quantas vezes, no decorrer da nossa existência, pequenos ajustes melhoraram a nossa vida?
Escrevendo, então, esses ajustes são quase necessários.
Redijo meus textos com atenção, e deixo-os ‘esfriar’.
Na revisão, quase sempre faço adequações.
São simples arranjos que os tornam mais musicais, tornando a leitura mais agradável.
Um ponto de exclamação pode mudar o ritmo do texto.
E é tão simples!
Trabalho para entregar ao leitor do Bar do Bugre um produto o mais agradável possível.
Para isso, conto com o auxílio de uma experiente revisora e com o formato final do editor.
Ambos têm total autonomia para as adequações e até alteração do título da crônica.
Quase sempre acho que ficou melhor assim.
A vaidade não permite essa experiência de ajustar a pequena posição de uma cadeira, ou de adequar uma curta frase ou título de uma crônica.
Essa rigidez de posição é contrária à experiência.
Sempre trabalhei com pessoas inexperientes, que se aconselhavam com as experientes.
Escrevo o que fiz.
Em todos os cargos públicos que ocupei na minha vida, eu não tinha experiência prévia para ocupá-los.
Procurei, então, convidar os melhores para me ajudar.
Foi assim que conseguimos implantar uma universidade moderna, em pleno Centro-Oeste, nos anos setenta, quando as dificuldades eram enormes.
Tenho certeza de que muitos dos meus escolhidos não seriam aceitos hoje, nem eu mesmo, por não possuir doutorado e eles curso superior.
Um jornalista me pergunto se hoje eu exerceria o cargo de reitor.
Disse que não, por não possuir pós-graduação e poder contratar sábios sem curso superior.
Meu professor de Medicina, Pedro Nava, definia a experiência como dois faróis de automóvel virados para trás: só iluminavam o passado.
Gabriel Novis Neves
06-02-2026
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