domingo, 8 de fevereiro de 2026

PEQUENAS MUDANÇAS


Arrastei a cadeira alguns centímetros.

 

Não foi por necessidade, apenas por conforto.

 

O barulho foi curto, seco.

 

Sentei novamente e testei a posição.

 

Ficou melhor assim.

 

A mesa continuou a mesma, o ambiente também.

 

Às vezes, um ajuste simples resolve o resto do dia.

 

Quantas vezes, no decorrer da nossa existência, pequenos ajustes melhoraram a nossa vida?

 

Escrevendo, então, esses ajustes são quase necessários.

 

Redijo meus textos com atenção, e deixo-os ‘esfriar’.

 

Na revisão, quase sempre faço adequações.

 

São simples arranjos que os tornam mais musicais, tornando a leitura mais agradável.

 

Um ponto de exclamação pode mudar o ritmo do texto.

 

E é tão simples!

 

Trabalho para entregar ao leitor do Bar do Bugre um produto o mais agradável possível.

 

Para isso, conto com o auxílio de uma experiente revisora e com o formato final do editor.

 

Ambos têm total autonomia para as adequações e até alteração do título da crônica.

 

Quase sempre acho que ficou melhor assim.

 

A vaidade não permite essa experiência de ajustar a pequena posição de uma cadeira, ou de adequar uma curta frase ou título de uma crônica.

 

Essa rigidez de posição é contrária à experiência.

 

Sempre trabalhei com pessoas inexperientes, que se aconselhavam com as experientes.

 

Escrevo o que fiz.

 

Em todos os cargos públicos que ocupei na minha vida, eu não tinha experiência prévia para ocupá-los.

 

Procurei, então, convidar os melhores para me ajudar.

 

Foi assim que conseguimos implantar uma universidade moderna, em pleno Centro-Oeste, nos anos setenta, quando as dificuldades eram enormes.

 

Tenho certeza de que muitos dos meus escolhidos não seriam aceitos hoje, nem eu mesmo, por não possuir doutorado e eles curso superior.

 

Um jornalista me pergunto se hoje eu exerceria o cargo de reitor.

 

Disse que não, por não possuir pós-graduação e poder contratar sábios sem curso superior.

 

Meu professor de Medicina, Pedro Nava, definia a experiência como dois faróis de automóvel virados para trás: só iluminavam o passado.

 

Gabriel Novis Neves

06-02-2026




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