A luz da sala ficou acesa sem necessidade.
Só percebi quando o sol já estava alto.
Fui até o interruptor e desliguei.
A claridade entrou pela janela sem pedir licença.
A casa mudou de tom.
Voltei para a cadeira e continuei sentado.
Às vezes, pequenos descuidos fazem parte da rotina e acabam pesando no bolso.
Outros, atingem diretamente a saúde.
Hoje acordei mais cedo para que a cuidadora me aplicasse a injeção semanal de controle da diabete.
Aproveitei também para completar a lista dos medicamentos de uso mensal.
Graças a esses cuidados, minha saúde está em ordem, segundo os últimos exames laboratoriais.
Quem administra a própria casa, como eu, sabe muito bem o que representa esquecer uma lâmpada acesa durante o dia.
Para as finanças pesa.
Os antigos eram mais atentos a essas pequenas coisas.
Até hoje ouço minha mãe, em voz alta, chamando a atenção para a torneira do tanque da área de serviço, transbordando água.
Completava sempre:
—Isso é dinheiro e não pode ser desperdiçado.
Bem mais tarde, já como secretário de Educação do Estado, em 1968, tomei conhecimento da existência de um curso universitário de Economia Doméstica.
A primeira cuiabana formada nesse curso, em Minas Gerais, eu a contratei.
Depois, levei-a para a recém-criada Universidade Federal de Mato Grosso, onde prestou relevantes serviços até a sua aposentadoria.
Em nome da ideologia do não desperdício, grandes obras foram realizadas.
O cuidado era tamanho que eu mesmo, pela manhã, percorria as salas desligando interruptores esquecidos.
À noite, porém, o câmpus permanecia iluminado.
As lâmpadas dos postes ficavam acesas.
Beleza também tem seu preço.
Como era bonito passear à noite pelo câmpus e contemplar seus oitenta hectares iluminados, mesmo gastando dinheiro.
Mas beleza tem preço, não é?
Gabriel Novis Neves
05-02-2026
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