Nasceu numa chácara à beira do rio Cuiabá, em 2 de abril de 1885. Dono de inteligência invulgar, foi aluno do Liceu São Gonçalo. Desde menino, deliciava-se com os segredos da bela Língua Portuguesa.
Com 19 anos seguiu para a Universidade Gregoriana de Roma, onde se doutorou em Filosofia e Teologia.
Aí se ordenou sacerdote. Depois, regressou ao Brasil.
Também num 2 de abril — aos 29 anos — foi alçado ao episcopado, sendo mais tarde nomeado arcebispo.
Famoso por seus sermões brilhava por onde passava.
Lançou, então, seu nome à seleta Academia Brasileira de Letras.
O Chiquinho da Rua Nova, aquele do esquecido e tão distante Mato Grosso, venceu o pleito.
Bem ele, que viera dos sertões de sol e de flores.
Um portento! É de se destacar o fato de ter sido governador de seu Estado natal.
Coube a ele fundar a prestigiada Academia Mato-Grossense de Letras.
Poeta primoroso, orador de escol, foi autor de livros que hão de eternizar seu nome.
Sua despedida se deu em 22 de março de 1956.
Isso orfanou não só Cuiabá — sua mimosa flor do sertão —, mas o Estado de Mato Grosso, que tanto amou, e que teve nele, é certo, o autor da página mais linda de sua história.
Dom Aquino foi o pastor que seduziu ao caminho do Senhor o seu vasto rebanho.
Praticou a catequese com devoção, servindo de exemplo a muitos jovens que seguiram a vida sacerdotal, oferecendo-lhes sólidos ensinamentos em Teologia, Filosofia e Letras.
Antes de viajar para estudar Medicina no Rio de Janeiro, fui ao Seminário onde Dom Aquino morava para ser recebido em audiência pública.
Comuniquei-lhe minha intenção de ser crismado por ele e seguir a carreira médica.
Ele acolheu meu pedido e me crismou naquele domingo à tarde.
Fez-me uma única pergunta:
— Você vai ser médico do corpo ou da alma?
— Do corpo e da alma — foi a minha resposta.
Tive grande convivência religiosa com Dom Aquino Corrêa, sendo seu auxiliar como coroinha nos grandes eventos da Catedral: Missa do Natal, Ano Novo, Semana Santa, Corpus Christi, Imaculada Conceição.
Muito jovem nos deixou, sendo uma das três maiores personalidades de nossa história.
Esta crônica foi escrita com a participação do Prof. Germano Aleixo Filho.
Gabriel Novis Neves
02-04-2025